Antes de investir em Bitcoins, avalie esses três alertas

Por Michael Viriato

Desde sua criação em 2009 a moeda virtual Bitcoin tem atraído a atenção de investidores e curiosos. O crescente interesse do público é explicado muito mais pela sua espantosa valorização que por sua inovadora tecnologia. Apenas em 2017 a alta dessa moeda digital chega a quase 400% até o final de agosto.

Evolução da cotação do Bitcoin em dólares americanos. (Fonte: www.coindesk.com)

Entretanto, a desvalorização que ocorreu nessa primeira semana de setembro levanta o coro dos que alertam sobre uma possível bolha nesse mercado. A desvalorização ocorrida não ficou restrita apenas ao Bitcoin. As dez principais moedas virtuais perderam em média mais de 18% de seu valor apenas nos últimos sete dias. Com essas grandes variações de preço, analistas comentam sobre a oportunidade de comprar a moeda e de fugir desse mercado.

Dados de valor de mercado e variação de preço das dez principais moedas virtuais. (Fonte: coinmarketcap.com)

Segundo especialistas, a tecnologia que sustenta o desenvolvimento dessas moedas tem capacidade de transformar a forma como as transações financeiras são realizadas atualmente. Entretanto, apesar do futuro promissor dessa tecnologia, o real valor dessas moedas ainda é questionado. Nesse sentido, antes de analisar o investimento nessas moedas virtuais, analise os três alertas abaixo.

Volatilidade
A volatilidade, ou seja, a dispersão dos retornos em relação ao retorno médio do Bitcoin ao longo de sua história alcança os 90% ao ano. Para comparar, a volatilidade média dos retornos do mercado de ações brasileiro, que é reconhecidamente volátil, é de menos da metade desse valor.

Entre junho e outubro de 2011 o Bitcoin se desvalorizou mais de 90%. Isso significa que se você investiu R$100 mil em 08 de junho de 2011, teria menos de R$7 mil em 18 de novembro. Esse não foi um fato isolado. Entre dezembro de 2013 e janeiro de 2015 a moeda virtual se desvalorizou 85%. Lembro que em dezembro de 2013 o Bitcoin tinha um valor similar ao de janeiro de 2017.

Portanto, se tomou a decisão de investir em Bitcoins, esteja ciente de que o risco de perda por variação de preço é significativo.

Competição entre moedas
Segundo o site coinmarketcap.com existem mais de 1.100 moedas virtuais e esse número não para de crescer. O valor de mercado total dessas moedas é de apenas US$147 bilhões, mas esse valor tem crescido rápido e parte desse crescimento é explicado pelo surgimento de novas moedas.

Apesar do crescimento do número de novas moedas digitais, as dez principais moedas apresentadas acima ainda dominam esse mercado pela sua popularidade. O valor de mercado dessas dez principais moedas corresponde a quase 87% do total de moedas digitais.

O valor de uma moeda está relacionado em parte a sua escassez. O valor de mercado das moedas virtuais vem crescendo com o constante avanço dos chamados ICO que são os análogos “IPO” de moedas, ou seja, as ofertas iniciais de moedas (Initial Coin Offering). Essa crescente oferta pode levar a uma competição entre elas e, consequentemente a uma desvalorização das moedas “antigas” em detrimento das novas emissões.

Portanto, o crescente avanço do número de moedas pode causar um excesso de oferta e desvalorização do mercado. Adicionalmente, apesar da perspectiva para as moedas virtuais ser promissora, nada garante que o Bitcoin por ter sido o pioneiro será a moeda virtual que despontará no futuro.

Ausência de regulação
A ausência de regulação sobre as moedas virtuais deixa esse mercado mais sujeito a manipulação e fraudes. As cotações nas diversas corretoras ainda não são uniformes, o que abala a confiança no preço de negociação.

Casos de fraudes eletrônicas continuam se repetindo. Em 2016, um hacker roubou US$65 milhões de uma das maiores bolsas de Bitcoin, a Bitfinex em Hong Kong. Em um outro caso anterior a perda para os investidores foi ainda maior. Em 2014, a maior bolsa mundial de Bitcoins, a MtGox anunciou que sumiram 850 mil Bitcoins de investidores, o equivalente a US$450 milhões.

Portanto, apesar da tecnologia inovadora, a ausência de um controle sobre as negociações e uma maior regulação deixa o investidor mais desprotegido que em outros mercados.