Saiba o que a maior gestora do mundo recomenda para o mercado de ações

Segundo a enciclopédia eletrônica Wikipedia, a maior gestora de recursos do mundo possui US$ 6,3 trilhões sob gestão. Para colocar em perspectiva este volume, a soma do PIB anual de todos os países da América Latina é menor que US$ 6 trilhões.

A maior empresa de investimentos é a BlackRock. Embora a maior parte de seus fundos seja formada pelos conhecidos ETFs (Exchange Traded Funds, Fundos Negociados em Bolsa em inglês), saber o que esta gigante acredita é relevante, pois sua opinião pode influenciar a decisão de muitos investidores pelo mundo.

O relatório divulgado nesta semana e assinado por Mike Pyle, Global Chief Investment Strategist, reforça o cenário que a empresa divulgou no final de 2019.

Nesta publicação ela sustenta a visão otimista para os mercados de risco globais.

Dentre os mercados de risco, ela sugere a elevação de ações em mercados emergentes para uma posição Overwheight, ou seja, para uma exposição acima do normal para cada investidor.

A justificativa reside principalmente em dois fatores. O primeiro é a expectativa de estabilização do crescimento global e elevação da atividade industrial. De acordo com pesquisa da gestora, o retorno das ações de mercados emergentes responde de forma mais intensa ao crescimento da atividade global.

O segundo fator é o cenário de Pyle sobre os juros nos países emergentes. Ele acredita que os Bancos Centrais destes países manterão a tendência de taxas de juros mais baixas, o que favorece o crescimento econômico e melhoria dos preços das ações.

Esta sugestão para elevar a posição em mercados emergentes pode reverter a saída de estrangeiros de nossa bolsa. Conforme apresentado na figura abaixo, desde o ano passado, o fluxo de estrangeiros para a bolsa de valores brasileira foi bastante negativo (linha azul mais baixa).

Evolução do fluxo dos diversos tipos de investidores para a Bolsa de Valores. Fonte e elaboração: Banco Central do Brasil

O Brasil tem um peso de 7,47% no índice MSCI para mercados emergentes, representando o quinto maior peso neste que é um dos principais índices de ações acompanhado no mundo. Portanto, um fluxo positivo para mercados emergentes significa quase naturalmente fluxo para nossa bolsa.

Distribuição dos pesos no índice MSCI de Mercados Emergentes para os principais países. Fonte e elaboração: MSCI

Uma reversão do fluxo negativo de 2019, impulsionado pela melhor perspectiva para mercados emergentes, poderia impulsionar ainda mais o mercado acionário brasileiro.

Confira a publicação desta semana da BlackRock (link) e o relatório completo com cenário e análise de riscos para 2020 (link).

Michael Viriato é professor de finanças do Insper e sócio fundador da Casa do Investidor.